Foto: Miso Ensemble, 1989 (Miguel Azguime e Paula Azguime) · © José Fabião
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entrevista em torno dos 40 anos da Miso Music Portugal
por Pedro Boléo
Março de 2025
No dia 5 de Maio de 1985, houve no Teatro Garcia de Resende, em Évora, um concerto especial. Era um duo de flauta e percussão formado por Miguel Azguime e Paula Azguime. O apelido por eles usado – Azguime –, cruzava os dois nomes de Miguel Azevedo e Paula Guimarães. Músicos jovens (ambos tinham nascido em 1960) e tecnicamente muito apetrechados, faziam uma música difícil de catalogar, que escapava a todos os cânones. Uma música que soava absolutamente nova (e em Portugal mais ainda), e que se propunha percorrer um caminho em aberto, de infinita pesquisa. Músicos com formação clássica, mas sempre um pouco “ao lado”, tinham feito ambos os primeiros estudos musicais na flauta. Miguel, agora Azguime, tinha decidido tocar bateria na rebeldia juvenil, ali nos tempos da revolução portuguesa de 1974, que parece tê-los marcado imensamente (basta dizer a palavra “liberdade” para o entender), mas não directamente, porque eram adolescentes e estavam “na sua”, convictamente desalinhados. Paula Azguime, depois de prescindir de outra paixão – a Medicina – assumiu plenamente um percurso musical. Paula e Miguel eram amigos antigos, colegas no Liceu Francês desde pequenos. A língua francesa que falam fluentemente vem daí (e Miguel Azguime usa-a frequentemente na sua poesia e nos títulos das obras, até hoje). A história do Miso Ensemble é uma história de amor, mas também de uma paixão pela criação musical que chegou até ao presente. Estão quase a passar 40 anos, e o tempo não pára.
Aquela estreia em 1985 abriu um caminho público, bem audível, do Miso Ensemble, um autêntico ovni na vida musical portuguesa. Desde aquele dia fizeram centenas de concertos em duo por todo o país, em qualquer sala, igreja, palco, teatro, associação, rua. E várias vezes no estrangeiro (Alemanha, França, etc). Cedo perceberam que, para combinar flauta e percussão, tinham de usar amplificação. Faziam eles mesmos o som. Autónomos, desde o início.
Som, música, performance
Mas que música era aquela, afinal? Não cabia nos catálogos da “improvisada”. Nem da clássica, nem sequer da contemporânea que existia: havia na época, é certo, entre outros pequenos projectos, o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa de Jorge Peixinho (1970), o Grupo Música Nova de Cândido Lima (1975), a Oficina Musical de Álvaro Salazar (1978), o ColecViva de Constança Capdeville (1985). Poucos mais, e já não era nada mau. A passagem de Paula e Miguel pelo jazz (com músicos muito diversos, alguns deles amigos) teve importância, mas o tipo de improvisação que começaram a praticar estava longe das regras jazzísticas e, sobretudo, era uma procura sonora de outra dimensão. Música sem palavras e longe da canção, afastava-se também, naturalmente, do mundo da pop e do rock que ambos tinham, apesar de tudo, partilhado na juventude. Partilharam e “curtiram” os primeiros Genesis, King Crimson, Gentle Giants. Conheciam bem a música barroca, clássica, romântica e do século XX. Gostavam de Georges Brassens (a língua francesa!), conheciam (e tocavam) Ornette Coleman, o jazz e o free jazz. Mas cedo quiseram trilhar, resolutamente, outros caminhos, que não têm a ver com nada disso. Porque esta história é de paixão, mas é também a de uma busca artística incessante, porque o tempo não pára.
Miguel e Paula, já a viver juntos, com uma filha com um ano (Ágata) e outro a caminho (Perseu), foram a Darmstadt em 1984, uma viagem que parece decisiva no seu percurso. Falavam agora de “composição em tempo real”. Faziam música improvisada, mas também composta, com estruturação cuidada do som e da forma, mas sempre “à escuta”. A performance era um elemento que não era deixado nem ao acaso, nem aos códigos instituídos de nenhum género musical. Talvez isso tenha sido importante na cumplicidade com Constança Capdeville, que parece ter ficado fascinada a primeira vez que ouviu o Miso Ensemble em palco. Estar em palco a fazer música era pensado (e vivido por eles) com uma precisão de samurai. Tirando a conotação guerreira (que, na época, dois praticantes de macrobiótica e pacifistas nunca aceitariam), a imagem do samurai parece fazer sentido, até porque o fascínio do Japão (mesmo que fosse dum Japão imaginado) já pairava na prática artística do Miso Ensemble. Mas o que importa é que a maneira de estar em palco do Miso Ensemble procurava ser, acima de tudo, um rigoroso encontro poético e performativo com o som e a música, para ouvidos dispostos a acolhê-los de forma aberta.
A sua atitude e a sua música tiveram impacto público, mesmo que aquelas formas e sonoridades fossem sempre consideradas um pouco “à margem”. No final dos anos 80 e nos anos 90 a originalidade do Miso Ensemble dá nas vistas: aparecem frequentemente na imprensa escrita (generalista e especializada) e até na televisão. Um crítico musical como José Blanc de Portugal, por exemplo, escreve muitas vezes sobre eles, segue o seu percurso. Quem os ouve, em qualquer lugar do país, não fica indiferente. Tocam para gente de diferentes classes e meios sociais. Quebram barreiras e suscitam reacções inesperadas sem dar por isso, simplesmente porque seguem o seu caminho.
Primeiras obras e colaborações
Entre as primeiras peças importantes do Miso Ensemble estão As quatro estações e Constelações, que revelam o tipo de sonoridades que investigam, mas também, no caso da segunda, de uma escrita nova para a música que queriam fazer, nesse caso desenvolvida por Paula Azguime. Peças com nome, portanto, e já não apenas “improvisações”. Composições dinâmicas e abertas, a propor formas de escuta pouco habituais, trabalhadas como delicadas (ou cortantes e surpreendentes) pesquisas sonoras e performativas, com alta exigência técnica e rigor formal. Felizmente, várias dessas obras estão gravadas. Perante a recusa do mercado discográfico, que se abria nos finais dos anos 80 a coisas novas, mas só nas linguagens do pop/rock, eles decidiram gravar os seus próprios discos, no início com cúmplices como Joaquim Pinto, que os gravou e que, mais tarde, os convidaria para participar na música dos seus dois primeiros filmes como realizador (Uma pedra no bolso, de 1988 e Onde bate o sol, de 1989).
Surgirá dessa necessidade de gravar e editar os próprios discos a Miso Records, que desde o início gravará peças do Miso Ensemble, mas também obras de compositores amigos ou próximos (e editará dezenas de obras até hoje). Parecia natural, nessa primeira década, a colaboração com outras artes, onde a dinâmica criativa parecia muito mais “à frente” do que na chamada música erudita. É o caso da dança (por exemplo a colaboração com João Fiadeiro no início dos anos 90) ou do teatro (em 1990 participam na peça Muito Barulho por Nada, de Shakespeare, encenada no Teatro da Cornucópia por Luís Miguel Cintra, entre algumas outras colaborações). São dos anos 90 também as colaborações com outros músicos, como o fagotista Robert Glassburner, o pianista Alain Neveux e o clarinetista Alain Damiens, importantes também no sentido em que apontam para um trabalho de composição (e improvisação-criação) que já não se limita apenas à flauta e à percussão. O Miso Ensemble também faz projectos mais ligados a instalações sonoras (em ligação com as artes plásticas, por exemplo) e concertos site-specific, como o projecto de 1991 concebido para o moinho de maré de Corroios que deu origem a uma grande peça musical do Miso Ensemble para flautas, percussão, água, mó do moinho, textos gravados e electrónica ao vivo, Água ou Maré – Nome de Pedra.
Miguel e Paula vão conseguindo, com dificuldades, sustentar a sua actividade artística financeiramente, apesar da total ausência de apoios do Estado à música nesta época. No início dos anos 80, antes ainda de existir o Miso Ensemble, eles produziram (em sua casa) pasta de miso que vendiam. Essa empresa foi, naquela época, um dos principais meios de sustentação das suas vidas e dos projectos artísticos naqueles anos. E o nome Miso Ensemble veio daí. O caldo de miso era também elemento importante na alimentação (em primeiro lugar de Miguel Azguime, que aderira à macrobiótica desde a sua juventude). Aliás, as preocupações com uma alimentação saudável e uma concepção ecologista de equilíbrio e respeito pela natureza não são de agora, acompanham o percurso do Miso Ensemble até hoje. Pensemos por exemplo na ópera A Laugh to Cry (2013), que pode ser vista também como um manifesto ecologista de alerta sobre a devastação do planeta.
Um projecto singular na vida musical portuguesa
Uma mudança gradual, mas significativa deu-se, entretanto (falamos sobretudo dos anos 90) na qualidade do ensino da música em Portugal, e também em quantidade: mais músicos com formação sólida começam a sair das escolas. Muitos vão estudar para fora e voltam ao país, transmitindo os seus conhecimentos e elevando o nível global no campo da interpretação e também da composição, campo que se alarga significativamente. Músicos estrangeiros vêm ensinar para Portugal e contribuem também para uma elevação da qualidade técnica. Alguns professores trazem também uma cultura e uma experiência musical mais vasta, que inclui diferentes géneros musicais e frequentemente uma maior proximidade com a nova música que se faz pelo mundo. Nalguns instrumentos com pouca tradição em Portugal, surgem jovens intérpretes de altíssima qualidade, e não parecem ser casos isolados. Mais crianças começam mais cedo a aprender música (embora muito haja por fazer ainda). As escolas de nível secundário, escolas profissionais e o ensino superior melhoram e alargam-se. A musicologia também dá um salto quantitativo e qualitativo importante. Falamos também de cursos que não são exclusivamente de música, como por exemplo em disciplinas técnicas ou artísticas ligadas ao som, em muitas escolas de artes. Não podemos aqui fazer uma história desta transformação importante, que tem consequências nas primeiras décadas do século XXI, mas colocamos a hipótese de ela ser decisiva para a transformação qualitativa e quantitativa da interpretação musical e ter fortes consequências, mesmo que apenas graduais, também no campo da nova música, onde se move, de forma absolutamente singular, o Miso Ensemble. Surgem entretanto novos ensembles e grupos, embora poucos dedicados exclusivamente à música nova (e alguns com o percurso interrompido, como a Orchestrutopica). Entre eles surgirá, em 2007, o Sond’Ar-te Electric Ensemble, grupo de elevada qualidade técnica e artística dedicado à música contemporânea com ou sem electrónica, com direcção artística de Miguel Azguime, e que tem participado em inúmeras actividades da Miso Music Portugal, fazendo concertos, encomendando obras, participando em festivais, divulgando música de compositoras e compositores activos em Portugal.
As iniciativas ligadas à música contemporânea mantiveram-se, contudo, escassas. Para além dos importantíssimos Encontros de Música Contemporânea da Gulbenkian, que terminarão em 2002 (tinham começado em 1977), houve algumas tentativas louváveis, mas quase sempre de curta duração e pouco apoiadas. Excepção significativa é o Festival Música Viva, organizado pela Miso Music Portugal, que completou 30 edições em 2024, reunindo um número impressionante de compositores e intérpretes portugueses e estrangeiros, fazendo encomendas e servindo como ponto de encontro de músicos, compositores e ouvintes interessados na criação musical da actualidade. Com apoios ou não, foi-se fazendo ano após ano, num gesto que a Miso Music assume muitas vezes como sendo de resistência cultural em defesa da liberdade de criação no campo musical. O Festival Música Viva foi também uma oportunidade para contactos internacionais com ainda mais músicos, compositores e organizações de outros países, que conduziu à participação em diversas redes internacionais, como por exemplo a presença na International Society for Contemporary Music. O trabalho nessa rede permite a realização, em Maio/ Junho de 2025, dos World New Music Days em Portugal pela primeira vez, um grande festival internacional de música contemporânea, acolhido pela Miso Music Portugal.
Os anos 90 correspondem, entretanto, a uma mudança institucional nas formas de promover e “fazer cultura” em Portugal que é necessário referir para compreender o terreno cultural em que se moveu nessa época o Miso Ensemble. Começam as Festas de Lisboa, em 1990. Também na capital, surgem o Centro Cultural de Belém e a Culturgest (ambos em 1993). O Estado lança ou envolve-se em iniciativas culturais de grandes dimensões: Europália (mostra da cultura portuguesa) em Bruxelas, em 1991; Lisboa – Capital Europeia da Cultura, em 1994, Expo 98 – Exposição Internacional de Lisboa, em 1998. Impõem-se os grandes eventos, os festivais e os mega-concertos de estádio (serve de exemplo o concerto dos Rolling Stones no Estádio de Alvalade em 1990). Não desaparece uma dinâmica cultural de pequena e média dimensão, assente em estruturas associativas locais mais modestas, mas os grandes empreendimentos culturais e os festivais passam a ser o modelo dominante de apresentação da “cultura”. Uma cultura oficial que se apresenta como “imagem de Portugal” na Europa e no mundo, marca de desenvolvimento e integração na Europa (Portugal tinha entrado na CEE – Comunidade Económica Europeia em 1985). Nestes grandes eventos, apresentados muitas vezes em termos de “rentabilidade económica”, e centrados numa visão nacionalista de “promoção de Portugal no estrangeiro” ou na atracção de turismo, parece, apesar de tudo, haver espaço (e dinheiro) para alguma criação artística alternativa e de vanguarda.
Notoriedade e diversificação
O Miso Ensemble tinha ganho alguma notoriedade em iniciativas como os Encontros ACARTE (da Fundação Gulbenkian) e é convidado a participar, por exemplo, na inauguração do CCB em 1993 e, alguns anos depois, na Expo 98, com um projecto sonoro ambicioso para o Pavilhão do Conhecimento dos Mares (a convite do arquitecto Nuno Mateus, da ARX Portugal). A participação na Expo 98 permitiu, pela primeira vez na vida do Miso Ensemble, algum desafogo financeiro. Até aí Miguel e Paula tinham vivido com dificuldades, mas sempre conseguido ultrapassá-las com determinação, nunca comprometendo a independência, a autonomia e a sua visão artística.
O dinheiro que conseguiram juntar com a participação na Expo 98 permitiu-lhes também adquirir alguns materiais e apetrechar tecnicamente as iniciativas que realizavam. Já em 1992 tinham começado a realizar o que viria a chamar-se Festival Música Viva, até 1995. A falta de financiamentos obrigou-os a interromper o festival, mas ele regressará em força em 1999, com alguns apoios institucionais (Instituto Franco-Português e CCB, por exemplo), e manter-se-á como uma iniciativa fundamental da Miso Music Portugal, uma associação que, de repente, tinha entre mãos muito mais do que o Miso Ensemble: a Miso Records e o Miso Studio, a realização anual do Festival Música Viva, a criação da Orquestra de Altifalantes e, no início do século XXI, a responsabilidade pela criação e manutenção do MIC – Music Information Centre, um Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa que é, simultaneamente, um site, um arquivo digital, um centro de promoção da música portuguesa actual e uma editora de partituras. Ao serviço dos criadores, mas também dos investigadores. O Miso Ensemble reconfigura nesta fase a sua acção. O duo de flauta e percussão dará o seu último concerto em 2007.
A caminho da New Op-Era
Miguel Azguime assumia-se, desde os anos 90, cada vez mais como compositor, até deixar completamente de tocar percussão e se dedicar a tempo (quase) inteiro à composição. Paula Azguime abandonava a composição e a flauta e dedicava-se a outras actividades não musicais. Artisticamente, passou a ter um papel de produção decisivo, mas menos visível, mas mantendo uma forte presença da sua criação artística nos projectos de “New Op-Era” (termo inventado por eles) do Miso Ensemble.
O grande marco neste caminho de pesquisa de um novo teatro musical foi Itinerário do Sal, criação do Miso Ensemble que conjuga encenação e concepção vídeo de Paula Azguime (com a colaboração de Andre Bartetzki na realização do vídeo) com a música, o texto poético e a performance de Miguel Azguime. Um longo processo que começa no final dos anos 90 e que vai até à sua estreia completa em 2006. Nesse caminho de pesquisa “operática” devem incluir-se vários projectos em que se conjuga a palavra poética, o vídeo e um trabalho cénico, como a ópera infantil A menina gotinha d’água (ópera com electrónica e vídeo em tempo real de 2011) e a New Op-Era A Laugh to Cry (2013), mas também diversas encomendas da Miso Music a outros compositores (teatro ou poesia electroacústica, Contos Contados com Som, etc.) e projectos mais recentes para o palco, como A vida é sempre preferível (2021), uma “acção poética” a solo de Miguel Azguime.
A ideia da New Op-Era é a investigação e proposta de novos projectos de teatro musical em ruptura com o convencionalismo da concepção cénica (mesmo quando a música é “nova”) e, ao mesmo tempo, pesquisando novas possibilidades sónicas, cénicas e vocais, juntando palavra-som, voz, imagem e música numa linguagem capaz de conjugar o poético, o visual e a composição musical mais avançada. Ao mesmo tempo, são projectos que tentam descobrir formas o mais ágeis possível, para poderem circular, recorrendo às novas tecnologias e ao vídeo também por essa razão.
O Miso Ensemble muda de formas, alarga-se e transmuta-se num projecto artístico que integra muitos outros elementos (e pessoas também) tornando-se uma pesquisa que passa a ser musical-multimédia, em geral a partir de composições musicais de Miguel Azguime, com textos seus ou de outros. Aliás, a poesia (e a poesia-som) é um elemento fundamental do trabalho artístico de Miguel Azguime, desde a juventude, e nunca o abandonou, até às criações mais actuais.
Uma atitude criativa em defesa da criação
Ao mesmo tempo a Miso Music Portugal tornou-se uma estrutura com uma diversidade de tarefas imensa, desde o estímulo e o fomento da criação contemporânea à promoção e divulgação da nova música portuguesa, passando pela encomenda de obras, a edição e a gravação. Faz o que tem a fazer para possibilitar os projectos próprios, mas passou a fazer também para usufruto e benefício de muitos compositores e intérpretes.
Aí chegaram Miguel e Paula Azguime, quase “sem querer”, mas porque era preciso, e enquanto as necessidades lhes iam aguçando o engenho, a sua atitude de fazedores incansáveis, a sua capacidade de resistência às adversidades (económicas, políticas, sociais, mas também pessoais) e a sua paixão pela criação musical dos nossos tempos tornavam-nos uma “instituição” no meio musical português com uma capacidade de acção e proposta invulgares. Entretanto a Miso Music tem um espaço em Lisboa, desde 2014, que é simultaneamente um lugar de criação e apresentação de projectos de música da actualidade (ou de música nova em relação com outras artes), o O’culto da Ajuda, em Belém. E desenvolve, entretanto, actividades no concelho de Odemira, com projectos que reabrem de novo o futuro e apontam para uma actividade artística, com a criação musical ao centro, em lugares diferentes do “centro”, para outros públicos.
O tempo não pára. Mas o Miso Ensemble não deixou apenas que o tempo passasse por eles. Com eles, o tempo foi-se fazendo e desdobrando (como quem faz música!). A realidade foi-se transformando também pela sua acção e persistência, sempre com a ideia de que a liberdade de criação musical e artística é um bem precioso, que precisa de ser cuidadosamente semeado, regado, colhido. Abrindo o presente a novas possibilidades e desafiando muitos “impossíveis” que se tornaram e continuam a tornar, afinal, possíveis.
Essa atitude criadora, livre, desafiante e transbordante, é hoje uma referência para muitos jovens compositores, intérpretes, músicos e ouvintes que descobrem e redescobrem a música do Miso Ensemble desde os seus primeiros anos, mas também se inspiram na imensa paixão de Miguel e Paula Azguime pela arte musical que teima na busca incessante de novos sons e linguagens para o presente, a abrir o futuro. Sempre de formas diferentes, ou seja, exactamente como há 40 anos.
O Autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
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Miso Ensemble · Água ou Maré – Nome de Pedra (1991) Paula Azguime (flauta) e Miguel Azguime (percussão) José F. Pinheiro e Bruno Niel (direcção de vídeo) Popoff – Latina Europa (RTP 2) |
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Miso Ensemble · A menina gotinha d’água (2011) Miguel Azguime · composição e libreto sobre texto original de Papiniano Carlos Paula Azguime · concepção, encenação vídeo e difusão sonora Erica Mandillo · direcção musical e encenação do coro Ágata Mandillo · narradora Coro Infantil da Universidade de Lisboa com Camila Mandillo como a Menina Gotinha de Água |
Miso Ensemble · A Laugh to Cry (2013) Miguel Azguime · composição e libreto Paula Azguime · encenação Andre Bartetzki · electrónica em tempo real e direcção tecnológica Pedro Neves · maestro Camila Mandillo · soprano Andrea Conangla · soprano André Henriques · baixo barítono Miguel Azguime · recitante Jade Mandillo · recitante Sond’Ar-te Electric Ensemble |
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